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Ainda é só o começo

Tenho visto várias pessoas no Facebook comemorando o afastamento de Dilma e dizendo: “acabou”.

Não amigo… Está apenas começando… Agora efetivamente começa o processo de impeachment, e Dilma terá 6 meses pra se defender. Haverá diversas audiências no Senado, a própria Dilma vai ter a chance de falar para se defender, haverá a elaboração e votação de vários relatórios, até a sessão final, onde o impeachment tem que obter 54 votos favoráveis (obteve 55 hoje, mas o que estava em jogo era a abertura do processo, não se ela será cassada ou não).

Nestes 6 meses, Dilma será praticamente uma PRESIDENTE EMÉRITA… manterá o salário, a residência no Alvorada, uma série de benefícios funcionais, e até mesmo avião da Força Aérea para viajar pelo país PAGA COM O NOSSO DINHEIRO. Para fazer comícios e tentar reverter a situação se lamuriando de ter sido vítima de um “golpe”.

Neste tempo, muita água vai passar embaixo dessa ponte. Temer pode começar o governo e fazer coisas impopulares que são necessárias, perdendo apoio popular e no congresso, o que pode abrir espaço para uma reversão do cenário.

Tudo isso deixa ainda mais difícil acreditar na retórica estúpida do PT de que este processo é um golpe.

Dilma terá um direito à ampla defesa maior do que o que qualquer outro cidadão teria.

Mas ainda assim, mesmo que ela seja afastada em definitivo daqui a 6 meses, isto não será o fim.

A esquerda utilizará sua rede de sindicatos, “movimentos sociais”, formadores de opinião é até mesmo professores de história para disseminar a narrativa de que Dilma sofreu um “golpe”, que “não cometeu crime”, e de que tudo foi “uma grande conspiração das elites” junto com os Estados Unidos para desarticular a construção de um projeto de “justiça social” e “inclusão”.

Continuarão com seu projeto de destruição do individualismo, do mérito pessoal, da competência individual.

Continuarão dizendo que uma privada pintada de verde é tão genial enquanto obra de arte quanto uma escultura de mármore de Bernini ou Michelangelo.

Continuarão dizendo que o MC Genérico é um artista talentoso e representa o futuro da música, e que Mozart é ultrapassado.

Continuarão dizendo que um bando qualquer de parasitas estatais tem a mesma capacidade de gerir uma empresa que Steve Jobs.

Continuarão dizendo que bens escassos produzidos pela mente e pelo trabalho de pessoas são “um direito” de todos.

Continuarão dizendo que um determinado grupo de indivíduos (minoria) tem tem direitos diferentes daqueles que cada um dos seus integrantes tem individualmente.

Continuarão dizendo que o problema do Brasil é cultural, e que não temos condições de confiar à população a liberdade, e que por isto devemos confiar o PODER a um grupo pequeno de pessoas que, em última análise, é parte desta mesma população que eles dizem não ser capaz de gerir as próprias vidas.

Continuarão dizendo que o lucro privado e o beneficio próprio são maus, e que o bem é sempre o bem dos outros.

Continuarão dizendo que produzir é fácil, que acumular riqueza é exploração, e que o mais vagabundo dos viciados da Cracolândia tem mais valor do que qualquer empresário que tenha crescido por meio do trabalho de sua própria mente.

Enquanto continuarmos punindo o sucesso, recompensando a incompetência, propagando a ideia de que qualquer imbecil é tão valoroso quanto um gênio, e condenando pessoas pelo que elas têm de bom, não haverá qualquer possibilidade do Brasil se tornar um país livre em um futuro próximo.


Leonardo Thomé Pires

Diretor de Tecnologia e Operações da EasyHard.io. Ex-Coordenador Local dos Estudantes pela Liberdade no RS. Liberal, colorado e polemista. Nerd e gamer nas horas vagas.

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