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João Dória e a moralidade do voluntarismo

João Dória e a moralidade do voluntarismo

O prefeito de São Paulo, João Doria, nestes três primeiros meses de mandato, está mudando completamente a relação entre indivíduos e a prefeitura na cidade de São Paulo. Ele acorda cedo, vai para a linha de frente trabalhar junto com os operários, limpa e pinta a cidade, e tem causado uma onda sem precedentes de doações à prefeitura por parte de empresas. Para a maioria das pessoas, tais doações são uma medida altruísta, de empresas que se preocupam com o bem estar alheio e ajudam os mais necessitados. Isto, à luz do objetivismo, soa como um sinal de alerta.

Uma análise mais detalhada, no entanto, sugere que nada pode estar mais distante da realidade do que tratar tais doações como altruísmo puro. Pelo contrário, as empresas não estão realizando doações sem contrapartida. Elas estão realizando uma troca voluntária, entregando algo que elas valorizam pouco (bens e serviços) e recebendo algo que valorizam muito (publicidade e posicionamento de marca) para alguém que valoriza bastante os bens e serviços ofertados.

Não pense que Doria está simplesmente achacando os empresários, obrigando-os veladamente a entregar sua propriedade ao governo, como a grande maioria dos políticos tem feito até hoje. O que ele está fazendo é oferecendo um canal de marketing bastante eficaz e que pode gerar às empresas mais receita do que despesa. Nenhum sacrifício está sendo feito, apenas trocas voluntárias de valor por valor. É autointeresse puro, e não há nada de errado nisso.


Leonardo Thomé Pires

Diretor de Tecnologia e Operações da EasyHard.io. Ex-Coordenador Local dos Estudantes pela Liberdade no RS. Liberal, colorado e polemista. Nerd e gamer nas horas vagas.

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